Neste episódio do J17 Talks, produzido pelo J17 Bank, Kamila Garcia — especialista em comunicação e relações públicas com mais de 15 anos de experiência — dialoga com José Nascimento e José Manuel sobre como construir, proteger e recuperar a reputação de empresas em um contexto digital acelerado. A conversa aborda pilares práticos, exemplos reais e recomendações direcionadas para quem deseja transformar comunicação em vantagem competitiva.
Sumário
- Introdução: por que reputação deixou de ser luxo e virou prioridade
- Os três pilares da reputação corporativa
- Propaganda x Relações Públicas: diferenças que importam
- Gestão de crise: prevenção é a etapa mais negligenciada
- Casos práticos: aprendizados diretos
- Dados que chocam e reforçam o papel social da comunicação
- Monitoramento, escuta ativa e canais públicos
- Colaboradores como embaixadores
- Checklist prático para começar hoje
- Perguntas frequentes (FAQ)
- Considerações finais e contatos
Introdução: por que reputação deixou de ser luxo e virou prioridade
Reputação não é mais um complemento do mix de marketing: tornou-se fator determinante na decisão de compra e na sobrevivência de empresas. Kamila enfatiza que consumidores hoje pesquisam cadeia produtiva, propósito e valores antes de comprar — muitas vezes comprando “cultura” mais do que apenas produto. Em um mundo onde a informação circula em segundos, uma boa reputação é tanto construção quanto seguro contra crises.
Os três pilares da reputação corporativa
Kamila sintetiza a construção de imagem em três pilares essenciais. São diretrizes simples de entender e difíceis de executar com consistência, mas quando bem aplicadas geram vantagem contundente.
1. Conteúdo
Conteúdo com credibilidade alimenta imprensa e redes sociais. Em tempos de desinformação, o jornalismo sério e apurado funciona como verificador da verdade. Por isso, assessoria de imprensa e produção de conteúdo fundamentado são passos estratégicos, não táticos.
2. Relacionamento
Relações públicas são, antes de tudo, relações humanas. Fazer amigos no mercado e cultivar confiança — como diz o provérbio citado na conversa: “Faça amigos, negócio é consequência” — constrói negócios perenes. O relacionamento também inclui educar jornalistas e formar laços com stakeholders.
3. Estratégia
Cada ação de comunicação precisa de propósito e contexto. A estratégia define o que se comunica, quando e para quem. Nem toda exposição é oportunidade; às vezes é prudente recuar e preparar o terreno.
Propaganda x Relações Públicas: diferenças que importam
Kamila destaca que propaganda posiciona; imprensa confirma. A propaganda entrega uma narrativa projetada pela marca; o trabalho de relações públicas, junto à imprensa séria, valida e amplia essa narrativa com apuração e credibilidade. Em mercados sensíveis, a confirmação por veículos independentes consolida reputação — ou a desmonta.
Gestão de crise: prevenção é a etapa mais negligenciada
Uma gestão de crise eficaz começa muito antes do primeiro sinal. Kamila reforça que prevenção é mais importante que reação. Prevenção envolve comunicação contínua, monitoramento e práticas éticas. No ambiente atual, uma frase mal colocada, uma imagem mal calculada ou um post entendido como ofensivo pode gerar ondas de boicote e cancelamento.
Por que crises nascem nas redes — e como evitá-las
Crises contemporâneas frequentemente têm origem em redes sociais, onde comunidades amplificam mensagens. Um conteúdo pensado como brincadeira pode ativar formadores de opinião e desencadear boicote. Por isso, recomenda-se:
- análise pré-postagem do impacto potencial;
- simulação de cenários críticos;
- manual de boas práticas para publicações;
- treinamento para porta-vozes e colaboradores.
Casos práticos: aprendizados diretos
Ao longo da conversa, Kamila compartilhou casos que evidenciam erros comuns e saídas possíveis.
Caso “dia sem carne” — cuidado com comunidades organizadas
Uma campanha de humor de um pequeno açougue, sugerindo que “sobraria mais carne” no dia sem carne, virou alvo de boicotes organizados por comunidades veganas. A lição: nem todo público recebe humor da mesma forma; a reação de grupos mobilizados pode escalar rapidamente.
O caso da tatuagem da meta — oportunidade ou risco?
Uma franqueadora recebeu atenção da mídia por funcionários que tatuaram a meta da empresa. A apuração mostrou que foi escolha dos funcionários, mas a exposição chamou debates sobre cultura interna e pressões organizacionais. Kamila defende apuração rigorosa antes de transformar o episódio em publicidade: contexto e análise são cruciais.
Corban 360 e o papel das iniciativas setoriais
No Corban 360, Kamila mostrou como um trabalho consistente de relações públicas educou jornalistas e trouxe visibilidade para o segmento dos correspondentes bancários. O exemplo de Gabriel Ramalho e sua postura de formação do mercado reforça que liderança reputacional é construída com serviço público e dados relevantes — como o alerta sobre taxas de crédito pessoal abusivas.
Dados que chocam e reforçam o papel social da comunicação
No debate, foi citado um número alarmante: em muitos casos, pessoas chegam a pagar até 25% ao mês em crédito pessoal enquanto o crédito consignado do INSS tem limite de 1,85% ao mês. Essa diferença revela urgência em comunicar alternativas seguras e em educar públicos vulneráveis. Para Kamila, relações públicas devem ter também esse viés de prestação de serviço à comunidade.
Monitoramento, escuta ativa e canais públicos
Monitorar menções em Instagram, TikTok, Reclame Aqui, Glassdoor e LinkedIn é obrigatório. Kamila e os entrevistadores lembram que muitas crises começam em grupos fechados — rádios-peão ou grupos de colaboradores — e se expandem. Ferramentas e práticas recomendadas:
- Monitoramento contínuo de menções e sentimentos;
- Mapeamento de formadores de opinião internos e externos;
- Criação de planos de resposta rápida e roteiros para porta-vozes;
- Escuta ativa: ouvir o pior vendedor ou o crítico pode revelar problemas reais.
Colaboradores como embaixadores
Transformar colaboradores em embaixadores exige comunicação interna consistente. O exemplo prático: substituir “rádio-peão” por canais oficiais e transparentes aumentou alinhamento e reduziu boatos. Comunicar mais e melhor, com honestidade, transforma funcionários em promotores naturais da marca.
Checklist prático para começar hoje
- Definir os 3 pilares de reputação: conteúdo, relacionamento e estratégia;
- Mapear stakeholders e jornalistas-chave do setor;
- Implementar monitoramento em múltiplos canais;
- Treinar porta-vozes e elaborar plano de crise com responsabilidades claras;
- Construir política de conteúdo e manual de boas práticas para redes;
- Promover escuta ativa interna: ouvir insatisfações e transformá-las em melhorias.
Perguntas frequentes (FAQ)
O que é mais importante: ter um plano de crise ou investir em prevenção?
A prevenção é mais importante, mas ambos são complementares. Prevenção diminui probabilidade e impacto; o plano garante resposta rápida quando necessário.
Quais ferramentas usar para monitoramento?
Plataformas de social listening (como Brandwatch, Talkwalker), acompanhamento em Reclame Aqui e Glassdoor, alertas do Google e escuta manual em grupos relevantes. A escolha depende do porte e risco do negócio.
Como transformar um crítico em aliado?
Prática de escuta ativa, respostas transparentes e soluções concretas. Muitas vezes o crítico quer ser ouvido e ver ação — responder com empatia e ações demonstráveis muda percepções.
Quando aceitar exposição na mídia é uma oportunidade?
Quando contexto e riscos foram avaliados; quando há preparo para gerir repercussão; quando a exposição está alinhada com valores e estratégia da marca. Se houver risco reputacional alto, cautela.
Como medir reputação?
Métricas qualitativas e quantitativas: sentimento das menções, cobertura jornalística qualitativa, índices de satisfação de clientes e colaboradores, volume de reclamações e indexadores de confiança (pesquisas de marca).
Considerações finais e contatos
Kamila Garcia reforça que comunicação é prestação de serviço: é sobre ouvir, educar e proteger comunidades. Em tempos digitais, reputação é construída todos os dias — e pode ser perdida com um clique. Empresas que investem em conteúdo, relacionamento e estratégia criam resiliência para enfrentar crises e transformar desafios em oportunidades.
Para conhecer o trabalho de Kamila Garcia: Instagram @kamilabgarcia e LinkedIn Kamila Garcia. Para mais conteúdos sobre comunicação e mercado financeiro, visite o site do J17 Bank.
Crie hoje sua estratégia de reputação: identifique um ponto de atenção, defina uma ação de monitoramento e convoque um pequeno grupo interno para ouvir clientes e colaboradores. Reputação é um ativo — e começa na escuta.